26/05/2015 07h00
- Atualizado em
26/05/2015 07h00
Casos de estupro em Ribeirão sobem e contrariam queda na região em abril
Município registrou oito ocorrências no mês passado, contra cinco em 2014.
Período também foi marcado por queda em homicídios e roubos de carros.
Os registros de estupro em Ribeirão Preto
(SP) contrariaram a queda na região e subiram em abril, segundo dados
divulgados nesta segunda-feira (25) pela Secretaria de Segurança Pública
do Estado de São Paulo (SSP/SP). Foram oito ocorrências contra cinco
computadas no mesmo mês um ano antes.
Por outro lado, o município teve diminuições em homicídios dolosos - cometidos com intenção de matar -, furtos e roubos de veículos, variação que também foi constatada nas 93 cidades que fazem parte da região de Ribeirão considerada no levantamento estadual.
Ao mesmo tempo em que vê um combate mais efetivo da polícia à criminalidade, o psicólogo Sérgio Kodato, coordenador do Observatório da Violência da USP, argumenta que o aparato de proteção à mulher ainda é insuficiente.
Os casos de estupro na região caíram de 75, em abril do ano passado, para 70 este ano. No acumulado do quadrimestre, foram 302 registros, queda de 6,5% em comparação com o período anterior.
Em Ribeirão, no entanto, os números subiram. Contados os oito casos de abril, a cidade acumula, desde janeiro, 24 registros de vítimas de estupro. No mesmo período do ano passado, foram 20, uma elevação de 20%.
A alta isolada serve de base ao entendimento de que as estratégias governamentais adotadas no combate à violência feminina não têm surtido o efeito desejado, avalia Kodato. “Não sei se o aumento estatisticamente pode ser considerado significativo, mas indica que as ações da rede de proteção à mulher ainda não estão articuladas com a prevenção, com a visibilidade do fenômeno. A violência contra a mulher continua em níveis altos, já que estupro é um crime grave”, diz.
Homicídios, roubos e furtos de carros
A SSP também aponta queda em homicídios dolosos, furtos e roubos de veículos. Se em abril do ano passado foram seis assassinatos em Ribeirão, no mês passado houve um registro - queda de 83,5%.
No cômputo geral da região, o acumulado de janeiro a abril deste ano ainda supera o do ano passado - 94 contra 86 - mas o balanço de abril apontou decréscimo. Foram 16 casos contra 25, representando uma redução de 36%.
O total de furtos e roubos de veículos registrados em abril deste ano em Ribeirão também caiu em relação ao ano passado. Nos dois tipos de ocorrências foram 232 registros, 48,67% a menos do que em 2014.
Os resultados mostram eficiência do trabalho das forças de segurança, na opinião do coordenador do Observatório da Violência. "Pode-se dizer que a criminalidade tende a cair em função, muito provavelmente, de uma melhor atuação policial forçada pelo clamor público, pelas demandas da população", afirma.
No entanto, outra explicação, segundo ele, é uma mudança de comportamento de quem lidera o crime organizado. "Muitos homicídios eram acertos de contas. O comando da criminalidade mandou parar com essas execuções já que isso chamava mais policiamento e repressão. A queda indica uma intervenção, mas também uma forma que o crime organizado encontrou de resolver seus conflitos."
Tráfico e latrocínio na região
No levantamento total da região houve aumento de 14,7% em tráfico de drogas, que saltou de 433 para 497 casos em abril último, e de latrocínio, que subiram de três para cinco. Em Ribeirão, enquanto não houve variação em latrocínios - 2 para 2 - o tráfico teve alta de 5,79%, com 73 registros no último mês.
Kodato acredita que os números da região evidenciam uma migração da criminalidade para cidades de pequeno e médio porte. "Isso indica que a criminalidade está buscando os municípios que antigamente eram tranquilos. Esses tipos de crime são os mais facilmente exportáveis e existe o fato de que o crime organizado tende a fugir da repressão policial."
Por outro lado, o município teve diminuições em homicídios dolosos - cometidos com intenção de matar -, furtos e roubos de veículos, variação que também foi constatada nas 93 cidades que fazem parte da região de Ribeirão considerada no levantamento estadual.
Ao mesmo tempo em que vê um combate mais efetivo da polícia à criminalidade, o psicólogo Sérgio Kodato, coordenador do Observatório da Violência da USP, argumenta que o aparato de proteção à mulher ainda é insuficiente.
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Aumento de estuprosOs casos de estupro na região caíram de 75, em abril do ano passado, para 70 este ano. No acumulado do quadrimestre, foram 302 registros, queda de 6,5% em comparação com o período anterior.
Em Ribeirão, no entanto, os números subiram. Contados os oito casos de abril, a cidade acumula, desde janeiro, 24 registros de vítimas de estupro. No mesmo período do ano passado, foram 20, uma elevação de 20%.
A alta isolada serve de base ao entendimento de que as estratégias governamentais adotadas no combate à violência feminina não têm surtido o efeito desejado, avalia Kodato. “Não sei se o aumento estatisticamente pode ser considerado significativo, mas indica que as ações da rede de proteção à mulher ainda não estão articuladas com a prevenção, com a visibilidade do fenômeno. A violência contra a mulher continua em níveis altos, já que estupro é um crime grave”, diz.
Homicídios, roubos e furtos de carros
A SSP também aponta queda em homicídios dolosos, furtos e roubos de veículos. Se em abril do ano passado foram seis assassinatos em Ribeirão, no mês passado houve um registro - queda de 83,5%.
No cômputo geral da região, o acumulado de janeiro a abril deste ano ainda supera o do ano passado - 94 contra 86 - mas o balanço de abril apontou decréscimo. Foram 16 casos contra 25, representando uma redução de 36%.
O total de furtos e roubos de veículos registrados em abril deste ano em Ribeirão também caiu em relação ao ano passado. Nos dois tipos de ocorrências foram 232 registros, 48,67% a menos do que em 2014.
Os resultados mostram eficiência do trabalho das forças de segurança, na opinião do coordenador do Observatório da Violência. "Pode-se dizer que a criminalidade tende a cair em função, muito provavelmente, de uma melhor atuação policial forçada pelo clamor público, pelas demandas da população", afirma.
No entanto, outra explicação, segundo ele, é uma mudança de comportamento de quem lidera o crime organizado. "Muitos homicídios eram acertos de contas. O comando da criminalidade mandou parar com essas execuções já que isso chamava mais policiamento e repressão. A queda indica uma intervenção, mas também uma forma que o crime organizado encontrou de resolver seus conflitos."
Tráfico e latrocínio na região
No levantamento total da região houve aumento de 14,7% em tráfico de drogas, que saltou de 433 para 497 casos em abril último, e de latrocínio, que subiram de três para cinco. Em Ribeirão, enquanto não houve variação em latrocínios - 2 para 2 - o tráfico teve alta de 5,79%, com 73 registros no último mês.
Kodato acredita que os números da região evidenciam uma migração da criminalidade para cidades de pequeno e médio porte. "Isso indica que a criminalidade está buscando os municípios que antigamente eram tranquilos. Esses tipos de crime são os mais facilmente exportáveis e existe o fato de que o crime organizado tende a fugir da repressão policial."
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